
Seu filho aprendeu uma palavra em inglês na semana passada. Ele parecia lembrar, repetiu algumas vezes, talvez até tenha usado durante uma brincadeira. Porém, alguns dias depois, quando você pergunta novamente, ele olha para você e parece não fazer ideia do que aquela palavra significa. Nesse momento, é comum surgir uma dúvida: “Será que ele realmente aprendeu?”
Essa situação acontece com muitas famílias. A criança pode aprender uma palavra, reconhecê-la em uma música, repetir durante uma atividade e, ainda assim, não conseguir recuperá-la quando alguém pergunta novamente. Isso não significa automaticamente que ela não prestou atenção ou que não tem facilidade para aprender inglês. Na verdade, esquecer faz parte do próprio processo de aprendizagem.
A memória não funciona como uma gaveta em que colocamos uma informação e podemos retirá-la exatamente da mesma maneira quando quisermos. Para aprender e recuperar uma informação, o cérebro precisa construir, fortalecer e acessar conexões. Além disso, a capacidade de lembrar se desenvolve ao longo da infância, acompanhando mudanças no próprio desenvolvimento cerebral.
Por isso, quando uma criança esquece uma palavra em inglês, o mais importante não é perguntar “por que ela não decorou?”, mas entender como aquela palavra foi apresentada, quantas vezes apareceu, em quais situações foi utilizada e se a criança teve oportunidades reais de recuperá-la novamente.
Esquecer uma palavra não significa que a criança não aprendeu
Antes de pensar em estratégias para ajudar, precisamos mudar uma ideia bastante comum: aprender uma palavra não significa necessariamente conseguir lembrá-la perfeitamente todas as vezes.
Imagine que uma criança aprendeu a palavra “butterfly” — “borboleta” durante uma aula. Naquele momento, ela viu uma imagem, ouviu a professora falar, repetiu a palavra e participou de uma atividade.
No dia seguinte, ela pode reconhecer a imagem e saber imediatamente que aquele animal é uma borboleta. Porém, quando o adulto pergunta:
“What is this?” — “O que é isso?”
ela pode ficar em silêncio.
Isso acontece porque reconhecer uma informação e conseguir recuperá-la sozinho são ações diferentes. A criança pode ter algum conhecimento daquela palavra, mas ainda não conseguir acessá-la rapidamente quando alguém solicita uma resposta.
Por isso, não devemos interpretar todo esquecimento como perda completa do aprendizado. Muitas vezes, a informação ainda está parcialmente disponível, mas precisa de mais experiências para se tornar mais acessível.
Nesse sentido, repetir uma palavra em diferentes momentos não significa simplesmente “fazer a criança decorar”. A repetição pode ajudar a fortalecer a familiaridade com aquela informação e facilitar sua recuperação posteriormente.
A memória da criança ainda está em desenvolvimento
A memória desempenha um papel essencial na aprendizagem, mas ela não permanece exatamente igual ao longo da vida. O desenvolvimento infantil envolve mudanças importantes nas capacidades de lembrar, reconhecer e recuperar informações. Pesquisas sobre memória e desenvolvimento cerebral mostram justamente essa relação entre o amadurecimento do cérebro e os avanços observados na capacidade de lembrar.
Isso ajuda a explicar por que não podemos esperar que uma criança se lembre de todo o vocabulário com a mesma estabilidade de um adulto.
Além disso, crianças recebem uma quantidade enorme de informações diariamente. Elas aprendem palavras na língua materna, descobrem conceitos novos, conhecem pessoas, exploram ambientes, brincam, resolvem problemas, aprendem regras e desenvolvem habilidades motoras e sociais. Dentro de tudo isso, uma palavra nova em inglês é apenas mais uma informação disputando espaço e atenção.
Portanto, quando uma criança esquece uma palavra que aprendeu recentemente, o melhor caminho não é aumentar a cobrança. É criar novas oportunidades para que aquela palavra volte a aparecer de maneira significativa.
Aprender uma palavra é diferente de encontrar uma palavra
Existe uma diferença importante entre conhecer uma palavra e conseguir encontrá-la rapidamente na memória.
Pense em uma criança que já aprendeu “apple” — “maçã”.
Se ela vê uma imagem de uma maçã e alguém pergunta:
“Is it an apple?” — “É uma maçã?”
ela pode responder facilmente.
Mas, se o adulto perguntar:
“What fruit is this?” — “Que fruta é esta?”
talvez ela demore alguns segundos ou responda em português. Isso não significa necessariamente que a palavra desapareceu. A tarefa simplesmente mudou.
No primeiro caso, a criança recebeu uma pista bastante clara. No segundo, precisou recuperar a informação de maneira mais independente.
Por isso, é importante variar as formas de apresentar o vocabulário. Se uma palavra aparece sempre acompanhada da mesma imagem, na mesma atividade e na mesma ordem, a criança pode aprender aquele contexto específico sem necessariamente conseguir utilizar a palavra em outras situações.
A aprendizagem se torna mais significativa quando a criança encontra a mesma palavra em contextos diferentes e com funções diferentes.
O contexto ajuda a dar significado à palavra
Uma palavra isolada pode ser difícil de guardar. Quando ela aparece dentro de uma situação, porém, ganha significado.
Imagine ensinar apenas:
“Cold” — “Frio”.
A criança pode repetir algumas vezes e depois esquecer.
Agora imagine uma situação em que ela está segurando um copo de água gelada. O adulto comenta:
“The water is cold.” — “A água está fria.”
Depois, em outro momento, durante uma brincadeira:
“Is the ice cold?” — “O gelo está frio?”
Mais tarde, durante uma história:
“It’s a cold day.” — “É um dia frio.”
Agora a palavra começa a aparecer associada a diferentes experiências.
A criança não precisa memorizar conscientemente cada frase. Ela começa a perceber como aquela palavra funciona e em quais situações pode utilizá-la. Por isso, quando uma criança esquece uma palavra, vale perguntar: ela teve contato suficiente com essa palavra em contextos variados?
Por que algumas palavras ficam mais fáceis de lembrar?
Não costumamos lembrar todas as informações com a mesma facilidade. Algumas palavras estão ligadas a experiências muito concretas, enquanto outras são mais abstratas.
É relativamente fácil associar:
“Ball” — “Bola”
a um objeto que a criança pode ver, pegar e jogar.
Por outro lado, palavras relacionadas a conceitos mais abstratos podem exigir mais exposição e diferentes situações de uso.
Além disso, o interesse também pode fazer diferença. Se uma criança adora animais, provavelmente terá mais oportunidades espontâneas de prestar atenção e falar sobre palavras relacionadas a esse universo.
Se ela gosta de jogos, talvez palavras relacionadas a ações e objetos presentes nas brincadeiras sejam mais significativas. Por isso, não existe uma única velocidade de memorização que sirva para todas as crianças.
Revisitar é mais importante do que ensinar uma quantidade enorme de palavras
Às vezes, os adultos acreditam que quanto mais palavras a criança aprende em uma aula, melhor. No entanto, quantidade não significa necessariamente consolidação.
Imagine que uma criança conheça cinquenta palavras, mas quase nunca encontre essas palavras novamente. Depois de algum tempo, parte desse vocabulário pode ficar difícil de recuperar.
Agora imagine outra criança que aprende menos palavras por vez, mas encontra essas palavras repetidamente em histórias, músicas, brincadeiras, atividades e conversas.
Nesse segundo cenário, o vocabulário pode ganhar mais oportunidades para se fortalecer. Por isso, em vez de pensar apenas em “quantas palavras novas meu filho aprendeu esta semana?”, vale observar também:
“Quantas palavras antigas ele continua encontrando e utilizando?”
Essa mudança de perspectiva ajuda a entender por que a revisão faz parte do aprendizado.
Esquecer e lembrar novamente também faz parte do processo
Existe uma situação bastante interessante: às vezes, a criança esquece uma palavra e, quando a encontra novamente, lembra mais rapidamente.
Imagine que ela tenha aprendido “rainbow” — “arco-íris” há algumas semanas.
Um dia, durante uma história, aparece um arco-íris.
O adulto diz:
“Look at the rainbow!” — “Olha o arco-íris!”
A criança talvez diga:
“Ah! Rainbow!”
Esse momento é importante porque mostra que o contato anterior não foi necessariamente inútil. A nova exposição pode ajudar a reativar uma informação que estava menos acessível. Por isso, não precisamos interpretar cada esquecimento como se fosse necessário começar do zero.
Muitas vezes, revisitar uma palavra ajuda a criança a recuperá-la com mais facilidade na próxima oportunidade.
Quando o esquecimento merece atenção?
Esquecer palavras isoladas durante o aprendizado de um segundo idioma é algo que pode acontecer normalmente. Uma criança pode lembrar hoje e esquecer amanhã; pode reconhecer uma palavra, mas não conseguir dizê-la; pode entender uma expressão em determinado contexto e não reconhecê-la imediatamente em outro.
Portanto, um episódio isolado de esquecimento não deve ser interpretado automaticamente como sinal de um problema.
Por outro lado, se a família percebe dificuldades persistentes e muito amplas relacionadas à aprendizagem, comunicação ou desenvolvimento, vale conversar com os profissionais que acompanham a criança para entender melhor a situação. O mais importante é não tirar conclusões a partir de uma única palavra esquecida.
O objetivo não é fazer a criança lembrar de tudo
Quando uma criança aprende inglês, o objetivo não deve ser transformar o vocabulário em uma coleção de palavras que ela precisa recitar sempre que um adulto perguntar. O idioma precisa ganhar significado.
A criança precisa encontrar palavras enquanto brinca, escuta histórias, canta, conversa, participa das aulas e interage com diferentes situações. Por isso, se seu filho esqueceu uma palavra que aparentemente já conhecia, respire.
Talvez ele precise apenas de mais contato. Talvez precise de uma pista. Talvez aquela palavra ainda não esteja suficientemente consolidada. Talvez ele a reconheça quando aparecer em outro contexto. Ou talvez simplesmente não consiga recuperá-la naquele momento.
Em vez de transformar o esquecimento em cobrança, transforme-o em uma nova oportunidade de contato.
Como tornar o vocabulário mais fácil de recuperar no dia a dia?
Uma estratégia simples consiste em trabalhar com palavras que realmente fazem sentido para a rotina da criança.
Se ela aprendeu “shoes” — “sapatos”, use a palavra quando os sapatos aparecerem.
Se aprendeu “hungry” — “com fome”, aproveite o momento das refeições.
Se aprendeu “sleepy” — “com sono”, use a expressão antes de dormir.
Se aprendeu “cold” — “frio”, utilize quando estiverem falando sobre temperatura.
O segredo está em conectar palavra, situação e significado.
Quando o vocabulário aparece repetidamente em situações concretas, a criança não precisa depender apenas da memorização mecânica. Ela pode construir associações que ajudam a compreender e recuperar aquilo que aprendeu.
Aprender inglês é um processo de construção
A aprendizagem de uma língua acontece aos poucos. Uma palavra que hoje parece esquecida pode reaparecer semanas depois. Uma expressão que a criança inicialmente apenas reconhece pode, posteriormente, aparecer em uma fala espontânea. Esse processo exige tempo.
A memória infantil também se desenvolve progressivamente, e pesquisas mostram que as capacidades de lembrar e recuperar informações mudam conforme a criança cresce e o cérebro se desenvolve. Por isso, não é necessário transformar cada esquecimento em motivo de preocupação.
Mais importante do que exigir que a criança lembre imediatamente é proporcionar experiências suficientes para que ela volte a encontrar, compreender e utilizar aquela informação.
Então, o que fazer quando seu filho esquecer uma palavra em inglês?
Quando isso acontecer, não transforme o momento em uma prova. Primeiro, ofereça uma pista ou reapresente a palavra. Depois, coloque essa palavra novamente em uma situação real.
Se ele esqueceu “apple” — “maçã”, você pode mostrar uma maçã e dizer:
“Apple!” — “Maçã!”
Depois:
“Do you want an apple?” — “Você quer uma maçã?”
Se ele responder em português, continue naturalmente.
Se ele repetir a palavra em inglês, ótimo.
Se ele não repetir, tudo bem também.
A palavra teve mais uma oportunidade de aparecer.
Depois de alguns dias, você pode encontrá-la novamente em uma história, música ou brincadeira. Dessa maneira, o aprendizado acontece de forma gradual.
O mais importante é continuar oferecendo oportunidades
Aprender inglês não acontece em uma única exposição. Uma palavra não precisa ser aprendida perfeitamente na primeira aula, nem permanecer disponível na memória para sempre depois de uma atividade. Ela pode aparecer, desaparecer, reaparecer e ganhar novos significados ao longo do tempo.
É justamente por isso que aulas, brincadeiras, histórias, músicas, conversas e atividades de revisão possuem papéis complementares. Cada nova experiência oferece à criança mais uma oportunidade de entrar em contato com aquilo que já viu e, aos poucos, tornar esse conhecimento mais familiar.
Portanto, se seu filho esquecer uma palavra em inglês que já aprendeu, tente não enxergar o momento como um retrocesso.
Reapresente a palavra. Coloque-a em um novo contexto. Dê uma pista. Use uma brincadeira. Conte uma história. E permita que a criança tente novamente.
Aprender uma língua é muito mais do que memorizar uma lista de palavras. É construir familiaridade, compreender significados, reconhecer padrões e, gradualmente, transformar aquilo que antes parecia novo em algo que faz parte da comunicação.
Aprender inglês pode ser mais leve!
Na infância, o aprendizado acontece melhor quando a criança encontra oportunidades para explorar, experimentar e participar. Por isso, o contato com o inglês pode ir muito além da simples memorização de vocabulário.
No Kidsa, as crianças e os adolescentes têm contato com o inglês por meio de uma proposta interativa, com aulas ao vivo e diferentes recursos que ajudam a tornar o aprendizado mais significativo e conectado ao universo infantil.
Quer ajudar seu filho a desenvolver o inglês de maneira mais natural, interativa e divertida? Conheça o Kidsa e descubra como podemos fazer parte dessa jornada.
Referências:
BAUER, Patricia J.; PATHMAN, Thanujeni. Memória e desenvolvimento inicial do cérebro. Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância, dez. 2008. Tradução: ago. 2013. Disponível em: https://www.enciclopedia-crianca.com/cerebro/segundo-especialistas/memoria-e-desenvolvimento-inicial-do-cerebro.
NEUROSABER. Educação infantil e memorização: estratégias para estimular o aprendizado das crianças. Instituto NeuroSaber, 17 jan. 2025. Disponível em: https://institutoneurosaber.com.br/artigos/educacao-infantil-e-memorizacao-estrategias-para-estimular-o-aprendizado-das-criancas/.