
Aprender uma informação não significa que ela ficará imediatamente disponível para ser recuperada a qualquer momento. A memória participa ativamente da aprendizagem, mas seu desenvolvimento acontece progressivamente durante a infância. Além disso, crianças pequenas conseguem formar lembranças e, com o desenvolvimento, passam a mantê-las por períodos cada vez maiores.
Por isso, quando uma palavra nova parece “sumir”, o melhor caminho não é transformar o momento em uma prova de memória. Em vez disso, pais e educadores podem criar novas oportunidades para que a criança reencontre aquela palavra, compreenda seu significado e tente recuperá-la novamente.
A boa notícia é que isso pode acontecer de maneira muito mais natural do que parece. Não é necessário sentar com a criança durante horas para decorar listas de vocabulário. Pelo contrário. Pequenas experiências distribuídas ao longo da rotina podem ajudar a transformar palavras novas em palavras familiares.
A seguir, você vai conhecer cinco estratégias para ajudar seu filho a lembrar novas palavras em inglês e descobrir como colocá-las em prática sem transformar o aprendizado em uma cobrança.
1. Coloque a palavra dentro de situações que façam sentido
Uma das maneiras mais eficientes de trabalhar uma palavra nova é evitar que ela apareça completamente isolada.
Imagine que a criança esteja aprendendo a palavra “hungry” — “com fome”. Se você simplesmente disser:
“Hungry significa com fome.”
ela pode até repetir a informação naquele momento. Entretanto, isso não garante que conseguirá utilizar ou reconhecer a palavra posteriormente. Agora imagine que a palavra apareça perto do horário do almoço.
Você pode perguntar:
“Are you hungry?” — “Você está com fome?”
Se a criança responder em português, não há problema. Você pode continuar:
“You are hungry!” — “Você está com fome!”
Depois, enquanto prepara a refeição:
“I’m hungry too.” — “Eu também estou com fome.”
Nesse caso, a criança encontra a mesma palavra relacionada a uma situação concreta. Ela não precisa apenas decorar um significado. Ela começa a perceber quando aquela palavra aparece e o que ela comunica.
Esse cuidado é importante porque a aprendizagem de palavras envolve diferentes processos. As crianças utilizam informações sobre os sons, o contexto da frase, aquilo que estão observando e conhecimentos que já possuem para construir o significado de novas palavras.
Portanto, sempre que possível, pergunte a si mesmo: “Em que situação real essa palavra poderia aparecer?”
Se a resposta for fácil, aproveite essa situação.
Se a palavra for “sleepy” — “com sono”, por exemplo, use-a perto da hora de dormir:
“Are you sleepy?” — “Você está com sono?”
Se a palavra for “thirsty” — “com sede”, utilize-a quando a criança pedir água:
“Are you thirsty?” — “Você está com sede?”
Se ela estiver colocando os sapatos, você pode usar:
“Where are your shoes?” — “Onde estão seus sapatos?”
Assim, o vocabulário começa a fazer parte da vida real.
2. Repita a palavra, mas mude a experiência
Quando os pais percebem que a criança esqueceu uma palavra, é comum pensar que a solução está em repetir exatamente a mesma atividade. Entretanto, repetição não precisa significar monotonia.
Uma palavra pode aparecer várias vezes em experiências diferentes. Essa variação permite que a criança encontre o mesmo vocabulário em novos contextos e perceba como ele funciona.
Imagine que seu filho esteja aprendendo a palavra “fast” — “rápido”.
Em uma brincadeira com carrinhos, você pode dizer:
“The car is fast!” — “O carro é rápido!”
Depois, durante uma história, aparece um animal correndo:
“The dog is fast.” — “O cachorro é rápido.”
Mais tarde, durante uma atividade de movimento, você pode perguntar:
“Can you run fast?” — “Você consegue correr rápido?”
A palavra continua sendo a mesma, mas a experiência muda.
Em vez de apresentar “fast” dez vezes como se a criança precisasse decorar a definição, você permite que ela encontre a palavra em diferentes situações.
Essa estratégia também evita que o inglês fique restrito ao momento da aula. A criança pode perceber que uma mesma palavra serve para falar sobre brinquedos, animais, pessoas, movimentos e acontecimentos.
A importância da repetição contextualizada e das revisões periódicas favorece a aprendizagem e a retenção de informações. Por isso, ao ensinar ou revisar uma palavra, não pense apenas em “quantas vezes meu filho repetiu?”.
Pense também em:
“Em quantas situações diferentes ele encontrou essa palavra?”
Essa segunda pergunta pode ajudar a construir uma rotina de aprendizagem muito mais significativa.
3. Use pistas antes de dar a resposta
Imagine que seu filho já tenha aprendido a palavra “window” — “janela”, mas não consiga lembrá-la quando você pergunta.
Você aponta para a janela e pergunta:
“What is this?” — “O que é isso?”
A criança pensa, mas não responde.
Nesse momento, você não precisa imediatamente dar a resposta. Também não precisa continuar perguntando até que ela fique frustrada.
Você pode oferecer uma pista:
“É uma coisa que fica na parede e por onde podemos olhar para fora.”
Se ainda assim ela não lembrar, você pode ajudar:
“Window!” — “Janela!”
E continuar:
“Open the window.” — “Abra a janela.”
Pronto. A criança teve a oportunidade de tentar recuperar a informação, recebeu ajuda quando necessário e ainda encontrou a palavra novamente dentro de uma frase.
Essa estratégia é especialmente interessante porque transforma a lembrança em um processo ativo. A criança não apenas escuta a resposta; ela primeiro tenta acessá-la. Além disso, oferecer pistas reduz a sensação de que existe apenas uma resposta certa que precisa aparecer imediatamente.
Ao longo do tempo, essas tentativas podem ajudar a criança a desenvolver mais familiaridade com o vocabulário.
4. Envolva mais de um sentido na aprendizagem
Palavras podem ganhar mais significado quando a criança não apenas as escuta, mas também as relaciona a imagens, movimentos, objetos e experiências.
Essa é uma das razões pelas quais atividades multissensoriais aparecem em propostas de estímulo à aprendizagem. O uso de recursos visuais, auditivos, táteis e motores são possibilidades para trabalhar a memória e o aprendizado infantil. Na prática, isso pode ser muito simples.
Imagine que a criança esteja aprendendo a palavra “jump” — “pular”.
Em vez de apenas falar:
“Jump means pular.” — “Jump significa pular.”
você pode transformar a palavra em uma ação.
Diga:
“Jump!” — “Pule!”
e pule junto.
Depois, em outro momento:
“Can you jump?” — “Você consegue pular?”
A criança relaciona o som da palavra ao movimento.
O mesmo pode acontecer com outras ações.
Para “run” — “correr”, vocês podem correr.
Para “sit” — “sentar”, vocês podem sentar.
Para “stand up” — “levantar”, podem levantar.
Para “clap” — “bater palmas”, podem bater palmas.
Nesse caso, a palavra deixa de ser apenas um som que precisa ser memorizado. Ela passa a estar associada a uma ação que a criança consegue experimentar.
Também podemos utilizar desenhos.
Se a palavra for “sun” — “sol”, a criança pode desenhar um sol enquanto escuta a palavra.
Se for “house” — “casa”, ela pode desenhar uma casa.
Se for “tree” — “árvore”, pode procurar uma árvore durante um passeio.
A proposta não precisa ser sofisticada. O mais importante é criar uma conexão entre palavra, significado e experiência.
5. Volte às palavras antigas enquanto apresenta palavras novas
Uma das estratégias mais importantes para ampliar o vocabulário é não abandonar completamente as palavras que a criança já aprendeu.
Imagine que seu filho esteja aprendendo palavras relacionadas a animais. Na primeira semana, aprende “dog” — “cachorro”, “cat” — “gato” e “bird” — “pássaro”.
Na semana seguinte, ele aprende “fish” — “peixe”, “horse” — “cavalo” e “rabbit” — “coelho”.
Em vez de trabalhar apenas as três palavras novas, você pode misturá-las às anteriores.
Durante uma brincadeira:
“Where is the dog?” — “Onde está o cachorro?”
Depois:
“Where is the rabbit?” — “Onde está o coelho?”
Mais tarde:
“Is this a cat or a bird?” — “Isto é um gato ou um pássaro?”
Agora a criança precisa recuperar palavras antigas e novas.
Esse processo cria uma espécie de conversa entre aquilo que ela já conhece e aquilo que está começando a aprender. Além disso, revisar não significa necessariamente sentar para fazer uma atividade formal. A revisão pode acontecer durante uma história, uma música, uma brincadeira ou uma conversa.
Portanto, quando uma palavra parecer esquecida, não descarte imediatamente aquela informação. Talvez a criança precise apenas de mais uma oportunidade para encontrá-la.
Como aplicar essas estratégias sem transformar o inglês em uma obrigação?
Conhecer estratégias para ajudar a criança a lembrar novas palavras é importante, mas a forma como os adultos aplicam essas estratégias faz toda a diferença. Em vez de transformar cada contato com o inglês em um teste de memória, os responsáveis podem aproveitar situações naturais da rotina para retomar o vocabulário. Dessa maneira, a criança encontra novamente as palavras em contextos significativos, sem sentir que precisa provar o que aprendeu.
Além disso, é importante respeitar o ritmo individual. Algumas palavras serão lembradas rapidamente, enquanto outras precisarão de mais tempo e exposição. Por isso, incentivar o inglês significa criar oportunidades frequentes e agradáveis de contato com o idioma, permitindo que a criança aprenda gradualmente e desenvolva confiança ao longo do processo.
E se a criança responder em português?
Responder em português durante uma interação em inglês não significa necessariamente que a criança não compreendeu ou não esteja aprendendo. A compreensão pode se desenvolver antes da produção, por isso é natural que a criança reconheça determinadas palavras e expressões, mas ainda prefira utilizar o português para se comunicar. Nesse momento, os responsáveis podem continuar a interação e apresentar naturalmente o modelo em inglês.
Essa postura evita cobranças desnecessárias e permite que a criança participe da conversa mesmo quando ainda não consegue formular uma resposta no novo idioma. Por isso, além de observar o que ela fala, é importante perceber o que já consegue compreender, reconhecer e associar ao contexto, valorizando o progresso que acontece aos poucos.
O que evitar ao tentar ajudar a criança a memorizar?
Para ajudar a criança a memorizar novas palavras, não é necessário aumentar a quantidade de exercícios ou exigir repetições constantes. O excesso de informações, a cobrança por respostas imediatas e as correções frequentes podem tornar o aprendizado cansativo. Por isso, é mais interessante trabalhar o vocabulário gradualmente, oferecendo tempo para que a criança pense e tenha novas oportunidades de contato com as palavras.
Também é importante evitar comparações com outras crianças e não tratar o esquecimento como sinal de fracasso. Cada criança possui seu próprio ritmo de aprendizagem, e algumas palavras precisam aparecer várias vezes antes de se tornarem fáceis de recuperar. Assim, o papel do adulto é oferecer apoio, contexto e novas oportunidades para aprender, sem transformar o inglês em uma fonte de pressão.
O vocabulário cresce com a prática
Lembrar novas palavras em inglês não depende apenas de conhecê-las uma vez. A criança precisa reencontrá-las, utilizá-las em diferentes situações e ampliar seu contato com o idioma ao longo do tempo.
No Kidsa, esse contato acontece por meio de aulas e atividades que permitem ao aluno praticar o inglês de diferentes maneiras, construindo seu vocabulário enquanto avança no curso.
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