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Seu filho faz aulas de inglês, aprende palavras novas, participa das atividades e, algumas vezes, até demonstra que compreendeu o que o professor explicou. Porém, quando chega em casa e você tenta conversar em inglês, ele responde em português, muda de assunto ou simplesmente diz: “Eu não quero falar inglês”.
Essa situação pode deixar muitos pais preocupados. Afinal, se a criança está estudando inglês, não seria importante praticar também fora da aula? Será que a falta de vontade de falar significa que ela não está aprendendo? E, principalmente, meu filho não quer falar inglês em casa. Devo insistir?
Por isso, estimular a fala em inglês não significa obrigar a criança a responder tudo no idioma. O mais importante é criar situações nas quais ela perceba que pode experimentar, errar, ouvir novamente e tentar outra vez sem sentir que está sendo avaliada o tempo inteiro.
Afinal, existe uma diferença importante entre oferecer oportunidades para falar inglês e pressionar a criança para demonstrar aquilo que aprendeu. Entender essa diferença pode mudar completamente a maneira como a família participa do processo de aprendizagem.
Meu filho entende inglês, mas responde em português. Isso significa que ele não está aprendendo?
Antes de transformar essa situação em uma cobrança, vale olhar para o comportamento da criança com mais atenção. Em muitos casos, ela não está rejeitando o inglês. Ela pode apenas não se sentir preparada para utilizá-lo espontaneamente naquele momento. Além disso, vergonha, medo de errar, cansaço, falta de hábito ou até mesmo a preferência por conversar em português com a família podem influenciar essa decisão.
Imagine uma situação bastante comum. Durante o jantar, você olha para seu filho e pergunta:
“Do you want water or juice?” (Você quer água ou suco?)
Ele olha para você e responde:
“Suco.”
É possível que, imediatamente, você pense que ele não quis falar inglês. No entanto, existe outra informação importante nessa cena: ele entendeu a pergunta. Ele identificou as opções e conseguiu comunicar o que desejava.
Essa diferença merece atenção porque compreender um idioma e conseguir produzi-lo espontaneamente são habilidades diferentes. Durante o processo de aprendizagem, a criança pode desenvolver a compreensão antes de se sentir confortável para construir respostas mais longas. Ela pode reconhecer uma palavra quando escuta, entender uma instrução, acompanhar uma música ou compreender uma pergunta, mas ainda preferir responder em português.
sso acontece porque falar exige uma série de processos ao mesmo tempo. A criança precisa recuperar as palavras que conhece, organizar a frase, lembrar a pronúncia e, ainda, sentir segurança suficiente para colocar tudo isso em voz alta. Quando acrescentamos o medo de errar, a produção pode se tornar ainda mais difícil.
Por isso, uma criança que responde em português não necessariamente está “ignorando” o inglês. Talvez ela esteja demonstrando que compreende mais do que consegue produzir.
Antes de insistir, tente descobrir o que está por trás da resistência
Quando uma criança diz que não quer falar inglês, é fácil interpretar a situação como falta de interesse. Entretanto, a mesma resposta pode ter motivos completamente diferentes.
Uma criança pode dizer “não quero” porque está cansada depois de um dia cheio. Outra pode estar com vergonha de falar na frente dos pais. Uma terceira pode ter medo de pronunciar alguma palavra de maneira errada. Outra pode simplesmente não entender por que precisa utilizar inglês em uma conversa que sempre aconteceu em português.
Por isso, observe o contexto.
Seu filho evita falar inglês apenas com você ou também durante as aulas? Ele participa quando a atividade envolve jogos? Fala algumas palavras espontaneamente? Demonstra mais interesse quando o assunto envolve seus personagens favoritos? Ele fica inseguro quando você corrige uma frase? Ou ele simplesmente prefere responder em português porque essa é a língua que utiliza naturalmente com a família?
Essas perguntas ajudam a encontrar a verdadeira origem da resistência. Portanto, antes de pensar em aumentar a cobrança, procure entender em quais situações a criança se sente mais confortável para utilizar o idioma.
Existe diferença entre incentivar e pressionar a criança
Incentivar significa criar oportunidades para que a criança experimente o inglês. Pressionar significa exigir uma resposta mesmo quando ela demonstra desconforto ou insegurança. Essa diferença parece pequena, mas pode mudar a relação da criança com o idioma.
Imagine que vocês estejam preparando o café da manhã. Você coloca duas opções na mesa e pergunta:
“Do you want milk or coffee?” → “Você quer leite ou café?”
Seu filho responde:
“Leite.”
Em uma abordagem de pressão, você poderia dizer:
“Fala em inglês. Você sabe falar.”
Depois, talvez peça que ele repita:
“I want milk.” → “Eu quero leite.”
Agora imagine outra possibilidade. Você simplesmente responde:
“Milk? Okay!” → “Leite? Tudo bem!”
A criança continua participando da situação e escuta novamente o vocabulário em inglês. Ela não precisou provar nada, mas teve contato com uma estrutura útil. Talvez, na próxima vez, diga apenas “juice”. Depois, quem sabe, comece a utilizar “I want juice”. O desenvolvimento acontece aos poucos.
Nesse segundo cenário, o adulto não abandonou a prática. Pelo contrário, continuou oferecendo inglês. A diferença está na expectativa. O objetivo não é fazer a criança provar que sabe inglês a cada oportunidade. O objetivo é ajudá-la a construir confiança para utilizá-lo.
A criança não precisa transformar a casa em uma segunda sala de aula
Muitos pais querem ajudar tanto que acabam levando para casa a mesma estrutura de uma aula formal. Eles perguntam palavras, pedem traduções, exigem frases completas e testam aquilo que a criança acabou de aprender.
A intenção é positiva. No entanto, se toda interação com o inglês tiver formato de exercício, a criança pode começar a associar o idioma à obrigação. Pense na diferença entre perguntar:
“Como fala cachorro em inglês?”
e simplesmente dizer:
“Look! A dog!” → “Olha! Um cachorro!”
Na primeira situação, você está testando a memória da criança. Na segunda, você está inserindo a palavra em um contexto. As duas estratégias podem ter seu lugar. Porém, dentro da rotina familiar, o segundo formato costuma ser mais natural.
Durante uma caminhada, por exemplo, você pode apontar para um cachorro e dizer:
“Look at the dog!” → “Olhe para o cachorro!”
Se a criança responder “cachorro”, tudo bem. Você pode continuar a conversa.
Durante uma brincadeira, pode dizer:
“The dog is running!” → “O cachorro está correndo!”
Durante uma história, pode perguntar:
“Where is the dog?” → “Onde está o cachorro?”
A palavra aparece várias vezes, em situações diferentes, e a criança começa a perceber como ela funciona. Assim, a casa não precisa se transformar em uma sala de aula. Ela pode se tornar simplesmente mais um ambiente no qual o inglês aparece.
O interesse da criança pode ser uma ponte para a fala
Se você quer que seu filho tenha vontade de falar inglês, vale observar sobre o que ele já gosta de falar. Uma criança que adora dinossauros provavelmente ficará mais envolvida em uma conversa sobre T-Rex, dinosaurs, big, small, fast e strong do que em uma atividade desconectada de seus interesses.
Da mesma maneira, uma criança apaixonada por futebol pode querer saber como dizer “gol”, “jogador” ou “time”. Quem gosta de desenhos pode se interessar pelos nomes dos personagens e pelas frases que eles utilizam. Quem gosta de jogos pode encontrar motivação para compreender palavras que aparecem durante as partidas.
Imagine que seu filho esteja jogando e comemore uma vitória. Você pode perguntar:
“Did you win?” → “Você ganhou?”
Ele responde:
“Sim!”
Você continua:
“You won! Congratulations!” → “Você ganhou! Parabéns!”
Talvez ele não repita nada. Ainda assim, houve comunicação.
Em outro dia, talvez ele diga:
“I won!” → “Eu ganhei!”
É justamente por isso que os interesses da criança podem funcionar como uma ponte. Quando existe algo que ela realmente deseja comunicar, o idioma passa a ter uma finalidade.
E se a criança responder sempre em português?
Uma das situações que mais preocupam os pais acontece quando a criança parece compreender o que está sendo dito em inglês, mas responde sempre em português. Nesse momento, é comum surgir a sensação de que todo o esforço está sendo desperdiçado. Afinal, se ela está aprendendo inglês, por que não utiliza o idioma para responder?
Antes de chegar a essa conclusão, porém, é importante lembrar que o desenvolvimento da linguagem acontece de maneira progressiva e envolve diferentes habilidades. A criança não passa simplesmente de “não sabe” para “fala inglês”. Entre esses dois pontos, existe um caminho que envolve compreensão, ampliação de vocabulário, construção de frases, interação e, gradualmente, maior autonomia para participar de diálogos.
Estudos sobre aquisição e desenvolvimento da linguagem destacam justamente esse caráter progressivo da comunicação infantil. Por isso, não transforme o português em um inimigo. Esse cuidado é importante porque a língua materna continuará sendo o principal meio de comunicação da criança com a família.
Dê tempo para seu filho formular uma resposta
Outro detalhe que os adultos frequentemente esquecem é o tempo necessário para pensar. Essa diferença é especialmente importante quando falamos de crianças pequenas.
O desenvolvimento da linguagem acontece por etapas: primeiro aparecem formas mais simples de comunicação e, progressivamente, a criança amplia o vocabulário, combina palavras, constrói frases mais longas e desenvolve sua capacidade de participar de diálogos.
A linguagem se desenvolve simultaneamente em aspectos relacionados à forma, ao conteúdo e ao uso social da língua. É recomendável que os adultos reconheçam as tentativas de comunicação, façam pausas para permitir que a criança continue a conversa e ampliem seu vocabulário.
Observe a evolução, não apenas a resposta de hoje
O desenvolvimento da linguagem não acontece de uma hora para outra. Por isso, uma única conversa em casa não deve servir como medida definitiva do aprendizado.
Talvez, há alguns meses, seu filho não reconhecesse“Do you want…?” → “Você quer…?”. Hoje, ele entende a pergunta, mas responde em português. Daqui a algum tempo, pode responder apenas “juice” → “suco” Depois, talvez diga “I want juice.” → “Eu quero suco.”. Essas pequenas mudanças representam diferentes etapas de participação na comunicação.
Por isso, acompanhar a evolução significa observar o conjunto de habilidades que a criança desenvolve ao longo do tempo. O vocabulário aumenta, a compreensão melhora, as respostas ficam mais elaboradas e a participação em diálogos se torna progressivamente mais independente. O desenvolvimento da linguagem é justamente marcado por essa ampliação gradual das possibilidades de comunicação.
Se, portanto, seu filho responde sempre em português, não é necessário concluir imediatamente que ele não está aprendendo inglês. Primeiro, observe se ele compreende o que escuta, reconhece palavras, participa das interações e demonstra evolução. Em seguida, continue oferecendo modelos de linguagem e oportunidades de uso, sem transformar cada resposta em um teste.
E, caso existam preocupações mais amplas sobre o desenvolvimento da comunicação, compreensão ou fala da criança, vale conversar com profissionais e com a escola. A observação do desenvolvimento deve considerar a idade, o contexto e o conjunto das habilidades comunicativas, e não apenas uma situação isolada em que a criança escolheu responder em português.
Conclusão
Se seu filho não quer falar inglês em casa, não transforme essa situação imediatamente em motivo de preocupação. Antes de insistir, observe o contexto e procure entender o que está por trás da resistência.
Talvez ele ainda esteja desenvolvendo a fala. Talvez compreenda mais do que consegue produzir. Talvez tenha medo de errar. Talvez esteja cansado. Ou talvez simplesmente ainda não tenha encontrado situações nas quais sinta vontade de utilizar o idioma.
Por isso, em vez de transformar a casa em uma segunda sala de aula, procure inserir o inglês em momentos que já fazem parte da vida da criança. Uma pergunta durante uma brincadeira, uma música no carro, uma expressão durante o jantar ou uma história antes de dormir podem criar oportunidades valiosas.
Incentivar não significa obrigar. Significa oferecer caminhos.
Como o Kidsa pode ajudar nesse processo?
O aprendizado de inglês acontece de maneira gradual e precisa considerar a idade, o nível e o ritmo de cada aluno. Por isso, oferecer experiências nas quais a criança possa ouvir, participar e experimentar o idioma é uma parte importante desse processo.
No Kidsa, crianças e adolescentes têm contato com o inglês por meio de aulas ao vivo e experiências interativas pensadas para diferentes fases do desenvolvimento. Dessa forma, o aluno pode construir seu repertório e desenvolver sua comunicação progressivamente, enquanto a família encontra maneiras de complementar esse contato no cotidiano.
A escola e a família possuem papéis diferentes, mas podem trabalhar em conjunto. Enquanto as aulas oferecem uma experiência pedagógica estruturada, a rotina pode trazer pequenas oportunidades para que a criança reconheça e utilize aquilo que está aprendendo.
No fim, seu filho não precisa falar inglês o tempo inteiro para estar aprendendo. Ele precisa encontrar um ambiente no qual possa ouvir, compreender, experimentar, errar e tentar novamente sem medo.
Referências:
MOUSINHO, Renata et al. Aquisição e desenvolvimento da linguagem: dificuldades que podem surgir neste percurso. Revista Psicopedagogia, São Paulo, v. 25, n. 78, 2008. Disponível em: https://pepsic.scielo.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862008000300012.
CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA (CFFa). Desenvolvimento da linguagem e auditivo da criança. Brasília, DF: Conselho Federal de Fonoaudiologia. Disponível em: https://fonoaudiologia.org.br/comunicacao/desenvolvimento-da-linguagem-e-auditivo-da-crianca/.
PEREIRA, José Rubens. O processo de ensino-aprendizagem de língua inglesa (LI) aportado em abordagens reflexivas e críticas. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (CONEDU), 6., 2019, Fortaleza. Anais […]. Campina Grande: Realize Editora, 2019. Disponível em: https://editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2019/TRABALHO_EV127_MD1_SA8_ID3045_23092019010718.pdf.
NEUROSABER. Etapas do desenvolvimento da linguagem até os 5 anos. Instituto NeuroSaber, 21 jun. 2021. Disponível em: https://institutoneurosaber.com.br/artigos/etapas-do-desenvolvimento-da-linguagem-ate-os-5-anos/.