
Palavras em inglês podem parecer muito diferentes entre si para uma criança que está começando a aprender o idioma. Algumas são reconhecidas rapidamente, enquanto outras precisam aparecer várias vezes antes de serem lembradas. Além disso, determinadas palavras entram no vocabulário com facilidade, enquanto outras parecem desaparecer da memória pouco depois da aula.
Por que isso acontece?
A resposta envolve vários fatores. O significado da palavra, a frequência com que a criança entra em contato com ela, a possibilidade de associá-la a uma imagem, a semelhança com uma palavra que ela já conhece e o contexto em que ela aparece podem influenciar esse processo.
Por exemplo, uma criança pode aprender rapidamente:
Apple — maçã
Porque consegue associar a palavra a uma fruta que conhece, visualizar o objeto e encontrá-lo em diferentes situações. Por outro lado, uma palavra mais abstrata pode exigir mais tempo e diferentes experiências até se tornar familiar.
Além disso, pesquisas sobre aquisição de palavras na infância mostram que características como frequência e concretude estão relacionadas à probabilidade de uma criança conhecer determinadas palavras. Portanto, se seu filho aprende algumas palavras rapidamente e demonstra dificuldade com outras, isso não significa necessariamente falta de esforço. Na verdade, algumas palavras oferecem mais pistas para a memória do que outras.
O que torna algumas palavras em inglês mais fáceis?
Não existe uma única característica responsável por tornar uma palavra fácil ou difícil. Na prática, diferentes fatores podem trabalhar juntos.
Entre os principais, podemos destacar:
- significado concreto;
- frequência de exposição;
- semelhança com o português;
- facilidade para criar imagens mentais;
- contexto;
- tamanho e complexidade da palavra;
- pronúncia;
- interesse da criança;
- experiências anteriores;
- oportunidades para utilizar a palavra.
Além disso, esses fatores podem interagir. Uma palavra pode ser muito concreta, mas pouco utilizada. Outra pode ser abstrata, porém aparecer frequentemente em músicas, histórias e conversas. Por isso, não devemos analisar uma palavra isoladamente. O mais importante é observar como a criança encontra e utiliza essa palavra.
Palavras concretas costumam ser mais fáceis de associar
Imagine que você apresente estas duas palavras:
Dog — cachorro
e
Freedom — liberdade
Para uma criança, a primeira palavra oferece uma referência concreta. Ela consegue imaginar um cachorro, ver uma fotografia, apontar para um animal ou até brincar com um cachorro.
Já freedom — liberdade representa uma ideia abstrata.
A criança não consegue apontar diretamente para “liberdade” da mesma maneira que aponta para um cachorro. Essa diferença pode influenciar a aprendizagem.
Pesquisas sobre aquisição de vocabulário infantil indicam que palavras mais concretas e mais fáceis de representar mentalmente tendem a apresentar vantagens em determinadas situações de aprendizagem. Por isso, recursos visuais podem ser especialmente úteis para apresentar vocabulário infantil.
Imagens ajudam a criança a criar associações
Quando uma criança vê a imagem de um gato enquanto escuta:
Cat — gato
ela recebe diferentes informações ao mesmo tempo.
Ela ouve o som.
Observa a imagem.
Relaciona aquele som ao animal.
Depois, pode repetir a palavra.
Mais tarde, pode encontrar cat em uma história.
Assim, diferentes pistas começam a se conectar.
Esse tipo de associação pode ser especialmente interessante durante o aprendizado infantil porque permite que a criança construa significado sem depender exclusivamente de uma tradução.
Algumas palavras em inglês aparecem muito mais no cotidiano
Outro fator importante é a frequência. Quanto mais uma criança encontra determinada palavra, mais oportunidades ela tem de reconhecê-la, compreendê-la e eventualmente utilizá-la.
Pense em palavras como:
Hello — olá
Goodbye — tchau
Water — água
Mom — mãe
Dad — pai
Essas palavras podem aparecer em situações muito familiares. Além disso, a criança pode encontrá-las em músicas, desenhos, histórias, aulas e conversas.
Existe uma relação importante entre a frequência de uma palavra no ambiente linguístico e a probabilidade de ela ser aprendida ou reconhecida pelas crianças. Portanto, não é estranho que uma criança aprenda algumas palavras rapidamente porque elas aparecem constantemente em seu ambiente.
Repetição ajuda a tornar as palavras familiares
A frequência, entretanto, não significa simplesmente repetir uma palavra várias vezes de maneira mecânica. A criança precisa ter oportunidades para encontrar o termo em situações significativas.
Imagine a palavra:
Happy — feliz
Em uma atividade, ela pode aparecer em:
I am happy.
Eu estou feliz.
Depois, em uma história:
The boy is happy.
O menino está feliz.
Mais tarde, em uma música.
Depois, durante uma conversa.
A palavra permanece a mesma, mas o contexto muda.
Assim, a criança passa a compreender que happy pode aparecer em diferentes situações. Consequentemente, o conhecimento se torna mais flexível.
O contexto ajuda a entender o significado
Uma palavra isolada pode ser difícil de memorizar. Por outro lado, quando aparece dentro de uma situação, a criança recebe pistas adicionais.
Por exemplo:
Cold — frio
Se a criança apenas vê a palavra cold, talvez precise de ajuda para lembrar o significado.
Porém, se encontra:
It’s cold!
Está frio!
Enquanto observa uma imagem de uma pessoa usando um casaco, o contexto ajuda a construir o significado.
Depois, ela pode encontrar:
Cold water — água fria
Nesse momento, a criança começa a perceber como a palavra funciona em diferentes combinações.
Palavras parecidas com o português podem parecer mais fáceis
O português e o inglês compartilham algumas palavras de origem semelhante. Essas palavras são chamadas de cognatas quando apresentam relação de forma e significado entre os idiomas.
Alguns exemplos são:
Animal — animal
Hospital — hospital
Important — importante
Different — diferente
Possible — possível
Para uma criança brasileira, encontrar essas semelhanças pode oferecer uma pista inicial. Ela não começa necessariamente do zero.
Isso pode facilitar a associação entre os dois idiomas em determinadas situações. Palavras cognatas em comparação com palavras não cognatas em determinadas condições pode ser uma vantagem. Entretanto, existe um cuidado importante. Nem toda palavra parecida significa exatamente a mesma coisa em todos os contextos. Por isso, a criança também precisa aprender como utilizar o termo em inglês.
E quando a palavra não se parece com nada em português?
É justamente aí que o contexto ganha ainda mais importância.
Considere:
Chair — cadeira
A palavra não apresenta uma semelhança óbvia com o português. Mesmo assim, a criança pode aprender facilmente se tiver contato frequente e significativo com ela.
Por exemplo, o professor pode mostrar uma cadeira e dizer:
Chair.
Depois:
This is a chair.
Isto é uma cadeira.
Mais tarde:
Sit on the chair.
Sente-se na cadeira.
A criança encontra a palavra em diferentes situações. Consequentemente, ela cria associações mesmo sem contar com a semelhança entre os idiomas.
O interesse da criança também pode fazer diferença
Imagine duas palavras:
Dinosaur — dinossauro
e
Table — mesa
As duas podem ser concretas.
Porém, se a criança é apaixonada por dinossauros, provavelmente encontrará mais motivos para prestar atenção em dinosaur.
Ela pode pesquisar imagens.
Assistir a vídeos.
Ler histórias.
Brincar.
Falar sobre o assunto.
Nesse caso, o interesse cria novas oportunidades de exposição. Por isso, o vocabulário não precisa ser apresentado de maneira completamente desconectada da vida da criança. Ao contrário, aproximar o inglês dos interesses individuais pode tornar a experiência mais significativa.
Como ensinar palavras em inglês de maneira mais eficiente?
Os pais podem utilizar estratégias simples no cotidiano.
1. Apresente poucas palavras de cada vez
Em vez de apresentar uma lista enorme, escolha um pequeno grupo relacionado.
Por exemplo:
Dog — cachorro
Cat — gato
Bird — pássaro
Depois, retome essas palavras em diferentes situações.
2. Use imagens
Imagens ajudam a relacionar o som da palavra ao significado.
Você pode mostrar uma fotografia e perguntar:
What is it?
O que é isso?
A criança responde:
Cat!
Gato!
3. Coloque a palavra em frases
Não fique apenas na tradução.
Depois de apresentar:
Apple — maçã
experimente:
I eat an apple.
Eu como uma maçã.
Assim, a criança começa a perceber a palavra dentro de uma estrutura.
4. Retome o vocabulário
Uma palavra aprendida hoje pode reaparecer amanhã.
Depois, pode surgir em uma história.
Mais tarde, pode aparecer durante uma brincadeira.
Essa retomada cria novas oportunidades de recuperação e uso.
5. Relacione o inglês aos interesses
Se seu filho gosta de futebol, explore palavras relacionadas ao esporte.
Se gosta de animais, use esse universo.
Se prefere jogos, aproveite o vocabulário presente nas brincadeiras.
Assim, o conteúdo ganha significado.
Como transformar palavras difíceis em palavras familiares?
Uma palavra que parece difícil no início pode se tornar familiar com o tempo. Para isso, podemos aumentar as pistas disponíveis.
Imagine:
Butterfly — borboleta
Em vez de apenas apresentar a tradução, você pode mostrar uma imagem.
Depois, ouvir a pronúncia.
Em seguida:
I see a butterfly.
Eu vejo uma borboleta.
Depois, desenhar uma.
Mais tarde, encontrar a palavra em uma história.
Assim, a criança passa a ter diferentes caminhos para acessar aquele conhecimento.
Não é preciso ensinar todas as palavras da mesma maneira
Esse é outro ponto importante. Uma criança não precisa aprender todos os termos utilizando exatamente a mesma estratégia.
Algumas palavras funcionam bem com imagens.
Outras podem ser aprendidas em músicas.
Algumas aparecem naturalmente em histórias.
Outras fazem mais sentido em jogos ou conversas.
Portanto, variar as experiências pode ajudar a atender diferentes características das palavras e diferentes formas de aprendizagem.
A repetição precisa ter significado
Repetir uma palavra pode ajudar, mas repetir mecanicamente nem sempre é a melhor estratégia.
Em vez de:
Cat, cat, cat, cat, cat…
experimente:
Cat — gato
I have a cat.
Eu tenho um gato.
The cat is sleeping.
O gato está dormindo.
Where is the cat?
Onde está o gato?
Agora, a criança encontra a mesma palavra em diferentes situações. Assim, ela não apenas repete.
Ela compreende, reconhece e utiliza.
Conclusão
Algumas palavras em inglês parecem mais fáceis de aprender porque oferecem diferentes pistas para que a criança construa significado. Palavras concretas, frequentes ou semelhantes a termos já conhecidos podem apresentar vantagens em determinadas situações. Além disso, imagens, contexto, repetição e oportunidades de uso podem contribuir para tornar o vocabulário mais familiar.
Com exposição, contexto, prática e novas experiências, a criança pode transformar uma palavra desconhecida em parte do seu repertório.
Por isso, mais importante do que perguntar “por que meu filho não consegue memorizar essa palavra?” é pensar:
“De quantas maneiras diferentes ele já teve a oportunidade de conhecer essa palavra?”
Talvez ela ainda precise aparecer em uma história.
Talvez funcione melhor acompanhada de uma imagem.
Talvez a criança precise utilizá-la em uma brincadeira.
Ou talvez simplesmente precise de mais tempo.
Afinal, aprender inglês não acontece apenas quando uma palavra é apresentada. O conhecimento se fortalece quando a criança reencontra essa palavra, compreende seu significado, percebe como ela funciona e encontra oportunidades para utilizá-la.
Cada palavra pode abrir uma nova descoberta
No Kidsa, o contato com o inglês acontece por meio de diferentes experiências, permitindo que crianças e adolescentes encontrem o idioma em contextos que fazem sentido para sua faixa etária e seus interesses.
Uma palavra nova não precisa ser apenas mais um item para memorizar. Ela pode se transformar em uma história, uma brincadeira, uma conversa ou uma nova descoberta. Conheça o Kidsa e veja como o inglês pode fazer parte dessa jornada!
Referências:
NÓBREGA, Thaís Fernandes Ribeiro; NOGUEIRA, Gabriela Medeiros. Aquisição de vocabulário e leitura de livro infantil: estratégias de uma professora do 1º ano. Educação, Santa Maria, v. 45, 2020. DOI: https://doi.org/10.5902/1984644436228. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/reveducacao/article/view/36228.