
Quando uma criança começa a aprender inglês, é natural que cometa erros. Ela pode trocar uma palavra, esquecer uma expressão, pronunciar um termo de maneira diferente ou construir uma frase que ainda não segue corretamente a estrutura do idioma.
Para muitos adultos, esses momentos parecem indicar que a criança ainda não aprendeu determinado conteúdo. No entanto, pesquisas e estudos sobre aprendizagem mostram que o erro pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento do conhecimento.
Isso acontece porque aprender envolve experimentar, formular hipóteses, receber informações, ajustar estratégias e tentar novamente. Por isso, quando pensamos no aprendizado de inglês para crianças, precisamos olhar para o erro de uma maneira diferente.
Errar não significa necessariamente que a criança não aprendeu. Muitas vezes, o erro mostra que ela está tentando usar aquilo que aprendeu.
O erro pode fazer parte do processo de aprendizagem
O erro costuma receber uma conotação negativa. Na escola, em casa e até mesmo em situações cotidianas, muitas crianças aprendem rapidamente que “errar” significa fracassar. Entretanto, essa visão pode limitar a própria disposição para aprender.
Em uma entrevista publicada pelo SINEPE/RS, o educador Eduardo Zugaib defende justamente uma mudança nessa perspectiva. Segundo ele, o erro não deve ser entendido como o oposto do acerto, mas como parte do caminho. A entrevista destaca ainda que, quando o erro é acolhido, ele pode se transformar em aprendizado; quando é tratado com dureza, pode gerar medo e até trauma.
Essa reflexão é especialmente relevante quando falamos de crianças aprendendo um novo idioma.
Afinal, para aprender inglês, a criança precisa experimentar.
Ela precisa falar.
Precisa testar palavras.
Precisa construir frases.
Precisa descobrir o que funciona.
E, consequentemente, algumas dessas tentativas estarão incorretas.
O objetivo, portanto, não deve ser criar uma experiência em que a criança nunca erre. O objetivo deve ser criar um ambiente em que ela possa errar, compreender, ajustar e tentar novamente.
Por que experimentar é tão importante para aprender inglês?
Aprender um idioma envolve muito mais do que memorizar palavras. A criança precisa aprender a utilizar essas palavras para compreender mensagens, responder perguntas, expressar necessidades e participar de conversas. Por isso, ela precisa de oportunidades reais ou simuladas para colocar o conhecimento em prática.
Imagine uma criança que conhece:
Dog — cachorro
Cat — gato
Big — grande
Small — pequeno
Conhecer essas palavras separadamente é importante. Porém, em algum momento, ela precisará utilizá-las.
Pode dizer:
“The dog is big.” — “O cachorro é grande.”
ou:
“The cat is small.” — “O gato é pequeno.”
Talvez ela erre a estrutura inicialmente. Mesmo assim, cada tentativa oferece uma oportunidade para experimentar o idioma. Além disso, a criança começa a perceber que aprender uma língua significa fazer mais do que reconhecer palavras: significa usar essas palavras para construir significado.
O que pesquisas mostram sobre aprender com os erros?
O papel do erro na aprendizagem não é apenas uma questão de opinião pedagógica. Diferentes pesquisas e publicações discutem como as tentativas, os erros, o feedback e a reflexão podem contribuir para o desenvolvimento do conhecimento.
Uma reportagem publicada pelo Centro de Referências em Educação Integral, baseada em uma investigação com jovens, descreve uma comparação entre memorização e tentativa e erro. Os participantes precisavam lembrar pares de palavras e, em uma das condições, tentavam adivinhar a segunda palavra antes de receber o feedback.
Segundo a reportagem, os participantes apresentaram melhor recuperação das informações quando seus palpites estavam próximos da resposta correta e depois recebiam o feedback adequado. A publicação relaciona esse resultado à chamada “luta produtiva”, na qual o aluno tenta estabelecer uma ponte entre aquilo que já sabe e aquilo que ainda não sabe.
Isso não significa que qualquer erro automaticamente produza aprendizagem. Esse detalhe é fundamental. A própria reportagem destaca a importância do feedback: a tentativa precisa ser acompanhada de uma oportunidade de descobrir ou receber a resposta correta.
No inglês infantil, podemos aplicar esse princípio de maneira simples.
A criança diz:
“He have a dog.” — “Ele tem um cachorro.”
O professor pode responder:
“He has a dog.” — “Ele tem um cachorro.”
Depois, a criança encontra novamente a estrutura:
“She has a cat.” — “Ela tem um gato.”
Assim, a tentativa inicial abre espaço para uma nova informação e, posteriormente, para outra oportunidade de uso.
O erro pode revelar como a criança está pensando
Uma das razões pelas quais não devemos olhar apenas para “certo” ou “errado” é que o erro pode revelar o raciocínio da criança.
Um artigo publicado na revista Njinga & Sepé: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras, de autoria de José de Inocência Narciso Cossa, discute justamente a importância de compreender o erro dentro do processo de ensino e aprendizagem.
O estudo, de abordagem qualitativa, defende uma visão do erro que aproveite seu potencial transformador. Em vez de simplesmente eliminar o erro, o trabalho propõe utilizá-lo para compreender quais aspectos precisam ser corrigidos. Isso muda a pergunta que fazemos diante de uma resposta incorreta.
Em vez de pensar apenas:
“Por que ele errou?”
podemos perguntar:
“O que esse erro mostra sobre o que ele já entendeu?”
Imagine uma criança que diga:
“Two childs.” — “Duas crianças.”
A forma correta é:
“Two children.” — “Duas crianças.”
Porém, a criança não inventou a resposta aleatoriamente.
Ela percebeu que precisava transformar “child” — “criança” em uma forma plural.
Ela conhece o conceito de plural.
O que ainda não domina é a forma irregular da palavra.
Portanto, o erro fornece uma informação importante para o professor.
Errar pode mostrar que a criança está criando hipóteses
Quando uma criança aprende inglês, ela começa a perceber padrões.
Por exemplo, aprende:
I played. — Eu joguei.
Depois:
I watched. — Eu assisti.
A partir daí, pode criar a hipótese de que os verbos no passado recebem -ed.
Então, diante de um verbo novo, talvez tente aplicar a mesma lógica.
Pode dizer:
“I goed to school.” — “Eu fui para a escola.”
A forma correta é:
“I went to school.” — “Eu fui para a escola.”
A criança errou.
Porém, o erro revela algo interessante: ela percebeu que o verbo precisava assumir outra forma para falar sobre o passado e tentou aplicar um padrão que já conhecia. Esse tipo de erro pode ajudar o professor a entender o estágio de desenvolvimento linguístico da criança. Assim, a correção deixa de ser simplesmente uma marcação de falha e passa a funcionar como uma oportunidade para ampliar o conhecimento.
O problema não está no erro, mas na forma como lidamos com ele
Uma criança pode errar e continuar aprendendo. Por outro lado, uma criança que passa a ter medo de errar pode começar a evitar o próprio aprendizado. Essa diferença importa muito.
Portanto, não basta dizer para a criança:
“Errar é normal.”
É necessário criar experiências que realmente mostrem isso.
Se toda tentativa receber uma reação negativa, a criança provavelmente perceberá que o erro não é bem-vindo, independentemente do que os adultos digam.
O medo de errar pode fazer a criança falar menos
Imagine uma criança que precisa responder:
“What did you do yesterday?” — “O que você fez ontem?”
Ela pensa:
“Será que minha frase está certa?”
“Será que vão rir?”
“Será que vou falar errado?”
“Será que esqueci o verbo?”
Depois de alguns segundos, ela simplesmente responde:
“I don’t know.” — “Eu não sei.”
Talvez ela soubesse parte da resposta. Porém, o medo de cometer um erro impediu a tentativa. Por isso, um ambiente seguro é tão importante para o aprendizado de idiomas.
A criança precisa entender que pode experimentar uma frase mesmo quando ainda não tem certeza absoluta sobre sua estrutura.
Uma criança não precisa acertar para participar
Durante uma conversa em inglês, a comunicação não precisa funcionar como uma prova. A criança não precisa ter certeza de que sua fala está completamente correta para participar, responder perguntas e expressar aquilo que pensa.
Na verdade, permitir que ela participe mesmo quando ainda comete erros cria oportunidades importantes para colocar o idioma em prática. Ao falar, a criança testa seus conhecimentos, percebe dificuldades e descobre novas formas de organizar aquilo que deseja comunicar.
Além disso, essa abordagem ajuda a criança a compreender que aprender inglês não significa acertar todas as estruturas imediatamente. O desenvolvimento acontece gradualmente, à medida que ela recebe novos modelos, pratica e ajusta seus conhecimentos.
Assim, a correção continua fazendo parte do processo, mas deixa de representar uma barreira para a participação. O mais importante é criar um ambiente em que a criança se sinta segura para tentar, se expressar e continuar aprendendo.
Corrigir é importante, mas o feedback precisa ajudar
As pesquisas citadas anteriormente não defendem simplesmente deixar o aluno errar sem orientação. Pelo contrário. O feedback desempenha um papel importante.
A tentativa ganha relevância quando o aluno recebe informações sobre a resposta posteriormente. Portanto, podemos pensar em um ciclo:
Tentativa → erro → feedback → compreensão → nova tentativa.
Esse ciclo pode aparecer várias vezes durante uma aula de inglês.
O erro não deve virar motivo de vergonha
Esse ponto merece atenção especial. Crianças estão desenvolvendo não apenas conhecimentos acadêmicos, mas também uma relação com sua própria capacidade de aprender. Se cada erro vier acompanhado de vergonha, comparação ou punição, elas podem começar a associar o inglês a uma experiência negativa.
Por outro lado, quando o erro recebe uma resposta acolhedora, a criança pode compreender que ainda existe espaço para melhorar. Essa ideia combina diretamente com o aprendizado de idiomas. A criança não precisa sentir que está sendo avaliada a cada frase. Ela precisa sentir que está aprendendo a usar uma nova ferramenta de comunicação.
O erro também pode desenvolver o pensamento crítico
Uma publicação da Exame, ao discutir a importância do erro no processo de aprendizagem, apresenta a chamada Análise de Erro como uma abordagem que leva o estudante a examinar o próprio processo de tomada de decisão.
Segundo o texto, analisar um erro significa ir além de identificar que determinada resposta estava incorreta. O aluno também pode refletir sobre por que aquela resposta aconteceu, o que não funcionou e o que pode ser feito de maneira diferente. A publicação relaciona esse processo ao pensamento crítico, à resolução de problemas e ao desenvolvimento de habilidades metacognitivas.
Errar pode ajudar a criança a Crianças precisam de espaço para tentar antes de saber tudo
Um dos maiores obstáculos no aprendizado de inglês acontece quando a criança acredita que precisa dominar uma estrutura antes de utilizá-la. Na prática, o processo costuma acontecer de maneira diferente.
A criança conhece algumas palavras.
Depois, começa a combiná-las.
Experimenta uma estrutura.
Percebe que algo não funciona.
Escuta uma forma diferente.
Tenta novamente.
E, gradualmente, amplia o que consegue fazer.
Por isso, exigir domínio completo antes da prática pode limitar justamente a prática necessária para desenvolver o domínio.
Como transformar o erro em uma oportunidade de aprendizado?
Pais e professores podem seguir algumas estratégias simples.
1. Valorize a tentativa
Quando a criança tentar falar inglês, reconheça o esforço.
Por exemplo:
“Good try!” — “Boa tentativa!”
ou:
“Let’s try again!” — “Vamos tentar novamente!”
A criança entende que ainda existe espaço para melhorar.
2. Evite interromper cada erro
Nem todo erro precisa ser corrigido imediatamente.
Se a criança estiver contando uma história, por exemplo, interromper cada frase pode prejudicar a comunicação. Em alguns momentos, é melhor deixar a criança terminar e depois trabalhar os pontos mais importantes.
3. Reformule a frase
Se a criança disser:
“He have two cats.” — “Ele tem dois gatos.”
o adulto pode responder:
“Yes! He has two cats.” — “Sim! Ele tem dois gatos.”
A criança recebe um modelo correto sem transformar o erro em constrangimento.
4. Faça perguntas que levem à reflexão
Em vez de entregar imediatamente a resposta, podemos oferecer uma pista.
Por exemplo:
“She are happy?” — “Ela está feliz?”
O professor pode perguntar:
“She… is or are?” — “She… is ou are?”
A criança pode pensar e escolher:
“Is!”
Esse processo faz com que ela participe da correção.
5. Dê novas oportunidades
Depois de corrigir uma estrutura, é interessante utilizá-la novamente.
Se a criança aprendeu:
“He has a dog.” — “Ele tem um cachorro.”
podemos perguntar:
“Does she have a dog?” — “Ela tem um cachorro?”
Depois:
“Does he have a cat?” — “Ele tem um gato?”
A criança encontra a estrutura em novas situações.
O erro também ensina a criança a lidar com desafios
A aprendizagem de idiomas não acontece sem dificuldades.
Em algum momento, a criança encontrará:
- uma palavra difícil;
- uma pronúncia nova;
- uma estrutura gramatical diferente;
- uma pergunta que não compreendeu;
- uma situação em que não sabe o que responder.
Se ela aprende desde cedo que toda dificuldade representa fracasso, pode desistir rapidamente. Por outro lado, se aprende que pode tentar, receber ajuda e tentar novamente, desenvolve uma relação diferente com os desafios.
Refletir sobre os erros pode contribuir para o desenvolvimento da resolução de problemas, da autorregulação e de uma mentalidade voltada para o aprendizado contínuo.
Como o Kidsa ajuda seu filho a aprender inglês com mais confiança?
Aprender um novo idioma envolve prática, participação e espaço para experimentar. Por isso, uma experiência de aprendizagem positiva precisa permitir que a criança teste seus conhecimentos, receba orientação e continue tentando.
Na Kidsa, o contato com o inglês acontece por meio de aulas e atividades interativas, criando oportunidades para que crianças e adolescentes utilizem o idioma de diferentes maneiras.
A proposta é fazer com que o inglês esteja presente em experiências de aprendizagem mais dinâmicas, nas quais participar, experimentar e evoluir façam parte da jornada.
Seu filho não precisa esperar saber tudo para começar a falar inglês. Ele pode aprender enquanto tenta, participa e descobre novas possibilidades. Conheça o Kidsa e veja como transformar o contato com o inglês em uma experiência mais leve, interativa e significativa.
Referências:
SINDICATO DO ENSINO PRIVADO DO RIO GRANDE DO SUL (SINEPE/RS). “O erro, quando bem acolhido, vira aprendizado”, defende educador. Educação em Pauta, 29 jan. 2026. Disponível em: https://sinepe-rs.org.br/educacaoempauta/com-a-palavra/o-erro-quando-bem-acolhido-vira-aprendizado-defende-educador.
CENTRO DE REFERÊNCIAS EM EDUCAÇÃO INTEGRAL. Como os erros ajudam os alunos a aprender. Centro de Referências em Educação Integral, 9 out. 2018. Disponível em: https://educacaointegral.org.br/reportagens/como-os-erros-ajudam-os-alunos-aprender/.
COSSA, José de Inocência Narciso. Importância do erro no processo de Ensino e Aprendizagem em sala de aula. Njinga & Sepé: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras, São Francisco do Conde, v. 1, n. 2, p. 16-36, jan./jun. 2021. Disponível em: https://revistas.unilab.edu.br/njingaesape/article/view/792.
NIA BOT; ANVERSA, Luiz. Por que o erro é importante no processo de aprendizagem. Exame, Guia de Carreira, 17 set. 2024. Disponível em: https://exame.com/carreira/guia-de-carreira/por-que-o-erro-e-importante-no-processo-de-aprendizagem/.